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Coturnicultura cresce na região da Capital do Ovo

Ovos-coturniculturaAtentos às altas temperaturas que tomaram conta da região nesse período, em 2012, os avicultores que também se dedicam à produção de ovos de codorna em Bastos e região redobram os cuidados com a pequena ave. Ela é mais sensível que as galinhas ao calor e também ao frio. Por isso, os galpões devem estar bem protegidos, evitando-se muita luz, vento e calor. As pequenas aves exigem particularidades em manejo.

As granjas de Bastos e Iacri colocam por mês no mercado cerca de 81 milhões de ovos de codorna. Segundo o Sindicato Rural de Bastos, a produção atual é o dobro da registrada há cinco anos. Ao longo de uma década, os avicultores da região têm levado seu know-how de bons produtores de ovos comerciais também para a coturnicultura, como é chamada a atividade que se dedica à produção de carne e ovos de codorna. Os altos índices de produção e produtividade comuns à avicultura com galinhas, um selo da região da Capital do Ovo, têm sido levados a bom termo também na coturnicultura.

A atividade é ainda mais antiga no entorno de Bastos. Em Iacri, cidade de quase 7 mil habitantes, a 9 km da Capital do Ovo, há produtores como o Arildo Lino Peixoto, que cria a codorna há 25 anos. Criador aplicado, como exige a atividade, Arildo conta que é pioneiro em codorna na região. Começou com uma pequena granja, depois se associou a outro produtor de Iacri, tornando-se expert no assunto, e então, em janeiro deste ano, passou a investir sozinho na propriedade que possuía no início de sua carreira. Hoje, mantém na Granja Paulista 200 mil aves, produzindo 220 caixas de ovos por dia. Satisfeito, Arildo conta que está concluindo mais um barracão para passar a alojar mais 25 mil aves, o que lhe renderá mais 30 caixas de ovos/dia.

Mas os produtores de ovos de codorna, a rigor os mais tradicionais, costumam não propalar somente o sucesso pois, segundo eles, essa imagem fantasiosa de que tudo é simples e lucrativo acaba atraindo aventureiros para o setor; em busca de retorno rápido. E esses criadores de “sucesso instantâneo” acabam “estragando” o mercado, que no Brasil ainda convive com muito amadorismo. Pequenos produtores aventuram-se no alojamento de 1000 a 5 mil codornas, entusiasmados com reportagens jornalísticas que exaltam a lucratividade da criação mas minimizam os problemas. Muitos desses pequenos investidores quebram e esse é um dos fatores que fazem a atividade ter uma forte oscilação no número de granjas. Especialistas na área criticam esse tipo de divulgação na imprensa, que consideram irresponsável, “um desserviço”.

Longe desse amadorismo, produtores como Arildo, de Iacri, e os irmãos Janes e Alfredo Nakanishi, de Bastos, dedicam-se à atividade com o profissionalismo que eles sabem ser necessário para enfrentar os altos e baixos da avicultura. Ao lado, sempre uma dose extra de paciência e perseverança. Tem sido com esses ingredientes que a coturnicultura ganhou fôlego no Brasil. Segundo dados do IBGE, a produção de ovos de codorna em 2011 estava na casa dos 260 milhões de dúzias, 12% a mais do que o registrado em 2010. São Paulo concentra 60,4% do total da produção nacional, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Em Bastos, a atividade ganhou impulso no início dos anos 2000, quando os produtores de ovos do município entenderam que podiam aproveitar a estrutura, o know-how e a logística de distribuição dos ovos de galinha. Muitos produtores de ovos comerciais passaram a montar aviários de codornas para atender pedidos de sua clientela, principalmente atacadistas. Como esses avicultores aproveitavam para a codorna a mesma logística de fabricação da ração, distribuição e comercialização que já possuíam para aos ovos comerciais, a atividade foi se desenhando cada vez mais viável. É o caso dos irmãos Nakanishi, que comandam a granja que tiveram a ideia de implantar no início da década.

Acreditando no mercado como promissor, James e Alfredo decidiram abrir a granja em 2001, com 20 mil pintainhas de codornas; o pai Tsunehiro – um avicultor de grande sucesso em postura comercial – apoiou a decisão. Hoje, a granja tem 280 mil aves e a produção está na faixa de 280 caixas de ovos por dia. Mas, como Arildo, de Iacri, Alfredo prefere não amplificar os resultados, afinal, os custos não têm colaborado para dividendos melhores, como já aconteceu em outros anos. Assim como o mercado de ovos de galinha, as granjas de codorna também estão enfrentando a alta dos preços dos insumos, notadamente a soja e o milho que compõem a ração das aves. E a codorna, como explica Alfredo, exige mais proteína na alimentação.

Hoje, uma caixa com 50 dúzias de ovos de codorna está custando ao produtor entre R$29,00 e R$30,00 – sem contar o custo da embalagem – e o preço no mercado estava em R$34,00 no dia da entrevista, há uns 10 dias. O lucro do avicultor, portanto, ficava entre R$4,00 e R$5,00. Levando-se em conta o custo médio de produção, há cinco meses, por exemplo, os coturnicultores estavam tendo prejuízo, pois o mercado estava pagando apenas R$26,00 a caixa.

Arildo Peixoto diz que a o mercado está numa fase boa; “só não está melhor porque o custo de produção está alto”, diz ele, corroborando o que dizem todos os avicultores, de Norte a Sul do país. Mas Arildo tem uma vantagem em relação a muitos produtores: ele conta com uma fábrica própria para fazer sua ração. Com isso, o produtor de Iacri mantém uma relação mais amigável com os custos de produção, em especial com a alimentação das aves. Na ponta do lápis, Arildo economiza 30% nos custos da alimentação, o que vai reverter em 10% a menos de despesas no custo final do seu produto.

São esses altos e baixos do setor que demandam paciência, cuidado rigoroso com a administração da granja e muita perseverança, concordam Alfredo e Arildo. “O mercado da codorna é sazonal, ou seja, oscila de acordo com a época do ano”, explica Alfredo Nakanishi. Segundo ele, a expectativa para os próximos meses é de um aumento na demanda, pois vêm aí o verão, as festas de fim de ano e as férias, período em que as famílias costumam gastar mais com a alimentação e os restaurantes, clientes desse mercado, também compram mais para atender seus fregueses. Nesse sentido, os Nakanishi de Bastos também ampliam suas vendas, já que têm como clientes restaurantes e distribuidores de cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília.

Aliás, a conquista desse cliente diferenciado aconteceu há 6 anos, quando esses empresários de Bastos também enxergaram no processamento dos ovos de codorna um nicho a ser explorado com mais atenção. Os dois irmãos criaram então a Cia da Codorna, uma fábrica de ovos de codorna cozidos e embalados, cuja venda é destinada a restaurantes de grandes centros. Atualmente, a fábrica processa cerca de 450 caixas de ovos por dia, produto mantido em conserva leve, ou seja, adicionado à salmoura suave, que não afeta o sabor do ovo e que dura em geladeira por 30 dias.

A nova investida dos irmãos Nakanishi agora é na direção da conserva em vidros, sem necessidade de refrigeração e com durabilidade de um ano, o que está sendo feito para atender a demanda de supermercados.

A GRANJA PAULISTA

Manter a clientela satisfeita e abrir novos mercados também é marca registrada do produtor de Iacri, Arildo Peixoto. Ele mantém a tradição de seu trabalho no Oeste Paulista graças à qualidade que imprime aos ovos que produz. Seus resultados em campo se convertem na confiança de uma clientela que se mantém fiel há mais de duas décadas. Caprichoso, o coturnicultor iacriense levou para sua Granja Paulista o mesmo cuidado que vem mantendo viva a produção de ovos de codorna na lembrança dos clientes antigos, além de conquistar novos mercados. “A clientela está inclusive aumentando os pedidos, por isso também estou aumentando o plantel”, diz ele, confiante nos resultados que colhe no setor.

Foi assim quando iniciou na atividade há 25 anos, e é assim agora, quando retoma sua antiga e primeira propriedade, transmutando-a em novas e organizadas instalações. O produtor conta que antes de dar início às atividades na Granja Paulista, já cuidou para que ela abrisse suas portas devidamente adequada às exigências do SIF, como já fazia na Granja Fortaleza, da qual foi sócio.

Esse rigor tem sido a bússola a orientar o produtor de ovos de codorna de Iacri, um sinalizador de que a atividade precisa e exige profissionalismo. Satisfeito ao mostrar as instalações de seus galpões, a recria, a postura, a fábrica de ração e a ampliação que já está preparando na propriedade, Arildo demonstra que é do ramo, que se orgulha da atividade que escolheu para si. A esposa Yvanete, com quem divide as preocupações e o sucesso do trabalho, é a parceira no dia a dia da granja. Como o marido, ela também denota o mesmo orgulho pelo trabalho da família.

Tudo isso se reflete no produto final que a Granja Paulista entrega todos os dias nos mercados que atende pelo país.

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